O ladrón de palabras

Para ler o relato e saber máis: webMarlou

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…QUE A SOMBRA DE ROSALÍA VOS ACOMPAÑE! (despedida)

Quero despedirme de vós e deste longo curso académico cun “até logo” e con este poema de SÉCHU SENDE. Considerarei que acadei os meus obxectivos e que desenvolvín adecuadamente as miñas competencias básicas, se fun quen de facervos comprender que OS PAÍSES SEN LENDAS ESTÁN CONDENADOS A MORRER DE FRÍO, ou en palabras de M. Murguía, O POBO QUE ESQUECE A SÚA LINGUA É UN POBO MORTO. Por iso déixovos coa nai da patria, ou se preferides, da lingua, porque A MIÑA PATRIA É A MIÑA LINGUA!

Di-se que quando morreu

a poeta Rosalia

a sua sombra separou-se 

dela e desde aquel dia

vive entre nós como

umha sombra que tem vida.

Rosalia dixo-lhe á sombra

antes de fechar os olhos

para sempre, sonhando

o último dos seus sonhos:

– Vai, protege a nossa língua, 

o idioma do meu povo.

Vai de aldeia em aldeia,

vai, vai de vila em vila, 

de cidade em cidade,

sombra da minha vida,

defende dos inimigos

a vida da nossa língua.

Vai, minha sombrinha, vai,

da-lhe força á minha gente

para construír o idioma

cooperativamente,

com palavras insubmisas

como as dumha mulher valente.

E dixo-lhe Rosalia

á própria sombra dela

– Volve-te raíz, minha sombra,

caminha com os pés na terra

e entra nos sonhos do povo

para que sonhe com as estrelas.

E o dezaseis de julho

Rosalia foi para a tumba,

que em paz descanse, 

e a sombra de sombra pura

ao pé dum arco da velha

começou a aventura.

Começou a sua viagem.

no cemitério de Adina,

na ribeirinha do Sar,

a sombra de Rosalia

e despois de tantos anos

segue entre nós aínda.

Desde aquela viaja 

pola Galiza enteira.

Dizem que a sombra arrecende

a rosas, a laranxeiras,

a regatos e a fontes, 

a terra, sol e figueiras.

Se nom a viches aínda

e a queres conhecer

sempre podes intenta-lo: 

fecha os olhos para a ver.

É como qualquer sombra

e tem forma de mulher.

Tem umha saia de sombra

a sombra de Rosalia,

zapatos de escuridade

umha blusa ensombrecida

de todas as cores da sombra

na sombra da luz do dia.

A sombra de Rosalia

joga com as sombras das pombas

e sobre a sombra das nuves

a sombra ás vezes voa.

E quando chove leva

um paráguas de sombra.

Gosta da festa rachada,

das verbenas e os seráns,

dos festivais e concertos,

e dizem que a virom bailar

com o cantante de Zënzar

um agarrado e um vals.

A sombra de Rosalia

quando canta é feliz,

e dizem que, quando dormem,

canta-lhes cancións infantis

cheias de cores aos nenos

e nenas do nosso país.

Gosta de achegar-se aos berces

das crianças que estám a chorar

e recita-lhes poemas

que ninguém mais pode escoitar,

para aprenderem palavras

que nunca mais esquecerám

E desde aquela a sombra vai

viajando de sonho em sonho

das crianças que sempre falam

a língua do nosso povo

contando-lhes trabalínguas

lendas, cançons e contos.

A sombra de Rosalia

tamém entra nos sonhos

dos nenos que nom falam 

galego ou o falam pouco.

E assi na almofada deixa

palavras como tesouros

para todos os nenos e nenas

que vivem no país nosso

escritas em papeis de cores:

estrela, ninho, abesouro,

bágoa, eu, papaventos,

vacaloura, mol e tojo.

A sombra de Rosalia,

nos teus sonhos, quando dormes,

di-che os nomes dos paxaros,

das árvores e das flores,

dos animais e da chuva,

das emoçons e das cores.

Sempre agasalha palavras

a sombra de Rosalia

lengalengas, poesias

cantareas, adivinhas,

cançons da nossa naçom,

livros na nossa língua.

E a sombra de Rosalia

entra nos sonhos dos pais

e das mais que falam pouco

galego aos filhos e vai

e di-lhes no ouvido:

– Tedes que falar-lho mais.

Aos pais que nom lhes aprendem

a língua aos nenos e ás nenas

a sombra de Rosalia 

tira-lhes das orelhas.

Os galegos e galegas

falamos a língua da terra.

Ás vezes pode-se ver

a sombra de Rosalia

em qualquer momento

na rua, á luz do dia,

quando vas mercar pam

ou numha frutaria.

A sombra de Rosalia

hoje estivo com Inés

umha rapaza de Vigo

que vive no bairro de Teis

e hoje botou se a falar

galego por primeira vez.

A sombra da poeta di:

-A lingua é o meu fogar,

vivo nas vossas palavras

e vivo no vosso falar,

cada palabra é umha casa

que devemos cuidar.

Para mudar o futuro

fala-lhes galego sempre

aos nenos e nenas porque

o porvir depende deles

nom podes mudar o porvir

se nom cámbias o presente.

E os que nom falades aínda

a que estades esperando?

Caminhar é umha ventura

e o caminho fai-se andando

e a língua da Galiza

defendemo-la falando.

Falar é mui importante,

muito mais do que parece,

as palavras da Galiza

a Galiza enriquecem.

Se tu nom falas galego

o país se empobrece.

Há milheiros de persoas

a falar galego a diário,

homes, mulheres, nenos

que na rua, no trabalho

falamos como somos

e somos como falamos.

Escrevemos em galego

os nossos coraçons de amor,

falamo-lo no caminho

e nunca estamos sós,

porque a língua nos une e

da mao caminhamos melhor.

A sombra de Rosalia

é como foi Rosalia,

umha mulher rebelde

e luitadora que cria

que as palavras traem ao mundo

liberdade e justiça.

A sombra de Rosalia

em nós palavras acende

como estrelas na noite

ou faíscas que o lume prendem

e, como a nossa língua,

estará com nós por sempre.

Estará contigo sempre

a sombra de Rosalia

e irá contigo da mao

no caminho da tua vida

acompanhando os teus sonhos.

Viva o idioma!, viva a língua!

FONTE:http://galiciaconfidencial.com/nova/9505.html

GRAZAS, LU!

Indígnate! Fala galego!

Escrevo Quero-te cem vezes hoje
cem vezes escrevo Quero-te porque te quero
e escrevo Quero-te porque te sinto dentro
e fora das palavras e no siléncio.

Na minha língua escrevo Quero-te
na tua língua, nossa.
Na palma de minha mao escrevo Quero-te
e escrevo Quero-te no teu ombro quando dormes
e Quero-tes pequenos nas etiquetas
da roupa que levas hoje.

E porque quando escrevo Quero-te já é passado
hoje escrevo tamém Quero-te no futuro,
e escrevo Quero-te com sprays nas ruas
polas que passas sempre ou nom passas nunca,
e escrevo Quero-te dentro da tua sombra
e dos teus zapatos e dos teus paxaros.

Escrevo Quero-te em código morse
com a ponta da língua onde me pidas
-.- . .-. —- – .

Um quero-te como um mamut de grande,
pequeno como umha constelaçom de sete letras,
longo como um arró entre dous vales
e, como a imperfecçom, perfecto.

Escrevo Quero-te na minha língua amante
que te lambe nos sonhos
que ás vezes se volvem realidade.
E escrevo Quero-te porque nom tenho medo,
e para cambiar o mundo escrevo Quero-te

Escrevo Quero-te nos lugares comuns
e nos segredos.
E escrevo Quero-che tamém
palatalmente.

Escrevo Quero-te no teu paráguas violeta,
e onde escrevo Quero-te nace o arco da velha.
Na lista da compra escrevo Quero-te
entre a palavra laranjas e a palavra tesoiras,
e escrevo Quero-te dentro dumha botelha.

Somos muita gente hoje
a escrever Quero-tes no país dos Quero-tes,
milheiros de Quero-tes na nossa língua
escritos na pel, nas árvores ou nas paredes.

Em cada Quero-te
que escreve alguém na minha língua
está o meu Quero-te
alá onde esteja.

E porque um Quero-te é umha palavra que brilha
escrevo Quero-te,
tamém eu com toda a gente
que hoje escrevemos
milhons de Quero-tes nas cinco mil línguas do planeta cada dia.

FONTE: CADERNO DE LINGUA DE ROMÁN LANDÍN

POEMA: QUERO-TE, DE SÉCHU SENDE EN MADE IN GALIZA