Instrucciones para empezar a hablar gallego

Radio Burela presenta esta adaptación (autorizada polo autor) do relato homónimo de Séchu Sende incluído no libro “Made in Galiza”, feita ao estilo das curtas documentais educativas estadounidenses dos anos 50 e 60 do século XX coñecidas como “ephemeral films”.

…QUE A SOMBRA DE ROSALÍA VOS ACOMPAÑE! (despedida)

Quero despedirme de vós e deste longo curso académico cun “até logo” e con este poema de SÉCHU SENDE. Considerarei que acadei os meus obxectivos e que desenvolvín adecuadamente as miñas competencias básicas, se fun quen de facervos comprender que OS PAÍSES SEN LENDAS ESTÁN CONDENADOS A MORRER DE FRÍO, ou en palabras de M. Murguía, O POBO QUE ESQUECE A SÚA LINGUA É UN POBO MORTO. Por iso déixovos coa nai da patria, ou se preferides, da lingua, porque A MIÑA PATRIA É A MIÑA LINGUA!

Di-se que quando morreu

a poeta Rosalia

a sua sombra separou-se 

dela e desde aquel dia

vive entre nós como

umha sombra que tem vida.

Rosalia dixo-lhe á sombra

antes de fechar os olhos

para sempre, sonhando

o último dos seus sonhos:

– Vai, protege a nossa língua, 

o idioma do meu povo.

Vai de aldeia em aldeia,

vai, vai de vila em vila, 

de cidade em cidade,

sombra da minha vida,

defende dos inimigos

a vida da nossa língua.

Vai, minha sombrinha, vai,

da-lhe força á minha gente

para construír o idioma

cooperativamente,

com palavras insubmisas

como as dumha mulher valente.

E dixo-lhe Rosalia

á própria sombra dela

– Volve-te raíz, minha sombra,

caminha com os pés na terra

e entra nos sonhos do povo

para que sonhe com as estrelas.

E o dezaseis de julho

Rosalia foi para a tumba,

que em paz descanse, 

e a sombra de sombra pura

ao pé dum arco da velha

começou a aventura.

Começou a sua viagem.

no cemitério de Adina,

na ribeirinha do Sar,

a sombra de Rosalia

e despois de tantos anos

segue entre nós aínda.

Desde aquela viaja 

pola Galiza enteira.

Dizem que a sombra arrecende

a rosas, a laranxeiras,

a regatos e a fontes, 

a terra, sol e figueiras.

Se nom a viches aínda

e a queres conhecer

sempre podes intenta-lo: 

fecha os olhos para a ver.

É como qualquer sombra

e tem forma de mulher.

Tem umha saia de sombra

a sombra de Rosalia,

zapatos de escuridade

umha blusa ensombrecida

de todas as cores da sombra

na sombra da luz do dia.

A sombra de Rosalia

joga com as sombras das pombas

e sobre a sombra das nuves

a sombra ás vezes voa.

E quando chove leva

um paráguas de sombra.

Gosta da festa rachada,

das verbenas e os seráns,

dos festivais e concertos,

e dizem que a virom bailar

com o cantante de Zënzar

um agarrado e um vals.

A sombra de Rosalia

quando canta é feliz,

e dizem que, quando dormem,

canta-lhes cancións infantis

cheias de cores aos nenos

e nenas do nosso país.

Gosta de achegar-se aos berces

das crianças que estám a chorar

e recita-lhes poemas

que ninguém mais pode escoitar,

para aprenderem palavras

que nunca mais esquecerám

E desde aquela a sombra vai

viajando de sonho em sonho

das crianças que sempre falam

a língua do nosso povo

contando-lhes trabalínguas

lendas, cançons e contos.

A sombra de Rosalia

tamém entra nos sonhos

dos nenos que nom falam 

galego ou o falam pouco.

E assi na almofada deixa

palavras como tesouros

para todos os nenos e nenas

que vivem no país nosso

escritas em papeis de cores:

estrela, ninho, abesouro,

bágoa, eu, papaventos,

vacaloura, mol e tojo.

A sombra de Rosalia,

nos teus sonhos, quando dormes,

di-che os nomes dos paxaros,

das árvores e das flores,

dos animais e da chuva,

das emoçons e das cores.

Sempre agasalha palavras

a sombra de Rosalia

lengalengas, poesias

cantareas, adivinhas,

cançons da nossa naçom,

livros na nossa língua.

E a sombra de Rosalia

entra nos sonhos dos pais

e das mais que falam pouco

galego aos filhos e vai

e di-lhes no ouvido:

– Tedes que falar-lho mais.

Aos pais que nom lhes aprendem

a língua aos nenos e ás nenas

a sombra de Rosalia 

tira-lhes das orelhas.

Os galegos e galegas

falamos a língua da terra.

Ás vezes pode-se ver

a sombra de Rosalia

em qualquer momento

na rua, á luz do dia,

quando vas mercar pam

ou numha frutaria.

A sombra de Rosalia

hoje estivo com Inés

umha rapaza de Vigo

que vive no bairro de Teis

e hoje botou se a falar

galego por primeira vez.

A sombra da poeta di:

-A lingua é o meu fogar,

vivo nas vossas palavras

e vivo no vosso falar,

cada palabra é umha casa

que devemos cuidar.

Para mudar o futuro

fala-lhes galego sempre

aos nenos e nenas porque

o porvir depende deles

nom podes mudar o porvir

se nom cámbias o presente.

E os que nom falades aínda

a que estades esperando?

Caminhar é umha ventura

e o caminho fai-se andando

e a língua da Galiza

defendemo-la falando.

Falar é mui importante,

muito mais do que parece,

as palavras da Galiza

a Galiza enriquecem.

Se tu nom falas galego

o país se empobrece.

Há milheiros de persoas

a falar galego a diário,

homes, mulheres, nenos

que na rua, no trabalho

falamos como somos

e somos como falamos.

Escrevemos em galego

os nossos coraçons de amor,

falamo-lo no caminho

e nunca estamos sós,

porque a língua nos une e

da mao caminhamos melhor.

A sombra de Rosalia

é como foi Rosalia,

umha mulher rebelde

e luitadora que cria

que as palavras traem ao mundo

liberdade e justiça.

A sombra de Rosalia

em nós palavras acende

como estrelas na noite

ou faíscas que o lume prendem

e, como a nossa língua,

estará com nós por sempre.

Estará contigo sempre

a sombra de Rosalia

e irá contigo da mao

no caminho da tua vida

acompanhando os teus sonhos.

Viva o idioma!, viva a língua!

FONTE:http://galiciaconfidencial.com/nova/9505.html

GRAZAS, LU!

Indígnate! Fala galego!

Escrevo Quero-te cem vezes hoje
cem vezes escrevo Quero-te porque te quero
e escrevo Quero-te porque te sinto dentro
e fora das palavras e no siléncio.

Na minha língua escrevo Quero-te
na tua língua, nossa.
Na palma de minha mao escrevo Quero-te
e escrevo Quero-te no teu ombro quando dormes
e Quero-tes pequenos nas etiquetas
da roupa que levas hoje.

E porque quando escrevo Quero-te já é passado
hoje escrevo tamém Quero-te no futuro,
e escrevo Quero-te com sprays nas ruas
polas que passas sempre ou nom passas nunca,
e escrevo Quero-te dentro da tua sombra
e dos teus zapatos e dos teus paxaros.

Escrevo Quero-te em código morse
com a ponta da língua onde me pidas
-.- . .-. —- – .

Um quero-te como um mamut de grande,
pequeno como umha constelaçom de sete letras,
longo como um arró entre dous vales
e, como a imperfecçom, perfecto.

Escrevo Quero-te na minha língua amante
que te lambe nos sonhos
que ás vezes se volvem realidade.
E escrevo Quero-te porque nom tenho medo,
e para cambiar o mundo escrevo Quero-te

Escrevo Quero-te nos lugares comuns
e nos segredos.
E escrevo Quero-che tamém
palatalmente.

Escrevo Quero-te no teu paráguas violeta,
e onde escrevo Quero-te nace o arco da velha.
Na lista da compra escrevo Quero-te
entre a palavra laranjas e a palavra tesoiras,
e escrevo Quero-te dentro dumha botelha.

Somos muita gente hoje
a escrever Quero-tes no país dos Quero-tes,
milheiros de Quero-tes na nossa língua
escritos na pel, nas árvores ou nas paredes.

Em cada Quero-te
que escreve alguém na minha língua
está o meu Quero-te
alá onde esteja.

E porque um Quero-te é umha palavra que brilha
escrevo Quero-te,
tamém eu com toda a gente
que hoje escrevemos
milhons de Quero-tes nas cinco mil línguas do planeta cada dia.

FONTE: CADERNO DE LINGUA DE ROMÁN LANDÍN

POEMA: QUERO-TE, DE SÉCHU SENDE EN MADE IN GALIZA