A língua é a minha pátria. E eu não tenho pátria, tenho mátria. E quero frátria

A identificación língua/pátria e língua/naçom é comum a Carvalho e a Pessoa. A frase de Pessoa, do Livro do Desassossego, originou inúmeras citaçons ou adaptaçons. Entre elas, a modo de exemplo, José Saramago, que concluiu que a língua portuguesa é “uma língua de várias pátrias”; ou Eduardo Lourenço, que acrescentou:”uma língua não o é de ninguém, mas nós não somos ninguém sem uma língua que fazemos nossa”; ou Jorge de Sena, que vai além “a Pátria de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações nasci”; ou Maria Gabriela Llansol, para quem “o meu país não é a minha língua, mas levá-la-ei para aquele que encontrar”; ou Eduardo Prado Coelho, que, categórico, afirma: “A nossa pátria só será a língua portuguesa se for mais do que a língua”; ou o moçambicano Mia Couto, que di: “A minha pátria é a minha língua portuguesa”; ou o brasileiro Ledo Ivo: “Minha pátria não é a língua portuguesa. Nenhuma língua é a pátria. Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci”

A preocupaçom de Carvalho pola língua, tanto pola sua codificaçom como polo seu uso, arranca de moi novo. Já em 1933 censura o amigo Fernández del Riego por ter utilizado em público o espanhol antecipando a teoria da necessidade de criarmos espelhos públicos de uso:

Paréceme moi mal que falaras en castelán no mitin escolar. Hai que partir da hipótese de que todos os estudantes de Santiago coñecen o galego. A tesis debe ser: en Galicia, como non se actúe como funcionario oficial nunca debemos falar en castelán en púbrico

Chegados a esta altura do texto podem pergunta-se por que juntei num mesmo relato Carvalho e Pessoa. Pois permitam-me traer como resposta aquel verso de Rosalia: O amor da patria me afoga.
Porque se em Pessoa é evidente a identificaçom pátria=língua em Carvalho é patente a identificaçom língua=naçom, que vem sendo o mesmo. Por isso Carvalho di que “o galego é Galiza” e se o galego é (ou forma parte, como preferirem) o mesmo sistema linguístico tamém chamado português e a partir de aqui resulta bem conhecida a posiçom de Carvalho, sermos, linguisticamente falando, compatriotas de Pessoa, de Mia Couto ou de Caetano Veloso.

FONTE: SERMOS GALIZA

AUTOR: XOÁN COSTA

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