Un tipo mui bem educado (por Séchu Sende)

Conheço um tipo que quando chega à cabina da autoestrada, ou ao súper, ou à frutaria, espera a que a persoa que atende fale em primeiro lugar… Se a outra persoa di Bos dias, el di Bos Dias. Se di Buenos dias, el di Buenos dias. Se a outra persoa nom di nada el… el nom sabe que fazer… Baixa a cabeça, em siléncio, paga, em siléncio, e vai-se…

Digerom-lhe um dia na escola, um mestre que se chamava Benjamin, que para falar a sua língua, a da sua família, a de aqui, deve primeiro esperar a ver em que língua lhe falam. Deves falar na língua em que che falem, dizia com um sorriso na boca. Digerom-lhe que fazer outra cousa nom é de boa educaçom. Aprendeu-no assi, e assi um dia tras outro…

Cada dia fala menos a sua língua porque cada dia menos gente fala a sua língua. Mesmo da com gente que habitualmente fala a mesma língua que el mas que…. ao saudar di Ola, ou Hola, e, claro, nom sabe se é com H ou sem el… E por se acaso a conversa segue na outra língua, nom vaia ser que pensem o um do outro que som uns maleducados. E aínda que os dous falarom sempre a mesma língua, a sua, a de aqui, acabam falando a outra, porque é de boa educaçom, seica….

Hoje, por exemplo, ao tipo que pensa que é mui bem educado ninguém lhe falou a sua língua no súper, na frutaria nem na cabina da autoestrada e el tamém nom falou a sua própria língua. Seria de mala educaçom. Onte, tampouco, e antonte, tamém nom. Cada dia fala menos a sua língua, e a isso chamam-lhe boa educaçom. Boa educaçom, disque.

SÉCHU SENDE